Fontes Confidenciais: poderosa (e perigosa) ferramenta jornalística
Fontes Confidenciais: Quem, quando e Por que? O Poynter dá algumas dicas de critérios que você deve observar antes de lançar mão deste recurso em reportagens jornalísticas:
- Uma reportagem que usa fontes confidenciais deve ter um poderoso apelo de interesse público..
- Antes de usar uma fonte sem nome, você deve estar convencido de que não há nenhuma forma de conseguir a informação essencial on the record.
- A fonte sem nome deve ser checável e ter o conhecimento em primeira mão da história. Mesmo que a fonte não possa ser nomeada, a informação deve ter comprovação. Se você não tem certeza de que a informação é verdadeira, admita isto para o público.
- Você deve estar disposto a revelar ao público porque a fonte não pode ser nomeada e o que a sua redação fez para conseguir a informação.
- O que o uso de uma fonte confidencial significa para a exatidão factual e a autenticidade contextual de sua história?
- Esta fonte merece a proteção de sua identidade?
- Que obrigações legais você assume com a promessa de não revelar os nomes das fontes? Se você for processado, está disposta até ser preso para proteger esta fonte? Se você for processado, esta fonte vai se revelar? Esta relutância e justificável?
- Como leitores/telespectadores/ouvintes avaliariam a mesma informação se eles soubessem o nome das fontes e as motivações?
- O que você fez para que a fonte entendesse os riscos que corre ao repassar as informações em questão?
- Se você prometeu proteger a identidade da fonte, está usando as ferramentas técnicas que garantem essa proteção? E se um advogado intimar judicialmente o material bruto? Esta pessoa seria identificável a partir disto?
- Você deve conhecer a política de confidencialidade da sua redação antes de prometer proteção a suas fontes.
- Você pode precisar do consentimento de um editor ou pode ter que revelar a identidade da fonte para um supervisor. Sua fonte deve saber se outras pessoas da redação precisarem saber de sua identidade.
Produção de vídeos para Internet: rápido e fácil
Câmeras HD, microfones high-fidelity e softwares de edição profissional podem produzir vídeos bonitos e polidos. Mas e se você precisa postar na web algo rápido?
Estudos apontam que o público geralmente valoriza mais a flexibilidade e a instantaneidade do que necessariamente a perfeição. Às vezes, a rapidez é a escolha mais adequada.
Para quem trabalha com o breaking news (notícias de última hora) ou mesmo para pequenas empresas de vídeo, simples ferramentas como o Flip camera e o iMovie podem ser a melhor escolha.
Estes recursos podem não produzir documentários com qualidade cinematográfica, mas o valor da produção é suficiente para não desanimar espectadores. Além disso, permitem que repórteres filmem, editem e postem uma reportagem em pouco menos de 1 hora.
Uma jornalista freelance conta sua experiência com a câmera Flip e o programa iMovie:
Soou como um desafio para mim, então imaginei que deveria tentar. Me armei com uma Flip camera e um tripé, planejando produzir um pequeno vídeo. Tenho alguma experiência com filmagem e edição de vídeo, mas nunca havia tocado em uma Flip antes, ou editado com o iMovie, então planejei levar uma hora para importar e editar minha filmagem.
A qualidade de áudio do Flip não é muito melhor do que a de um de celular, a performance da câmera é ruim com luz baixa. Pelo contrário, é tão infalível quanto um gravador de vídeo pode ser. Uma vez que encaixei o tripé, pude me movimentar tranquilamente ao redor da sala, procurando por tomadas. A vantagem real surge quando o tempo é importante. Não precisa de fita para capturar, nem de um decodificador intermediário.
Você apenas abre o iMovie, pluga o USB do Flip e aperta em ‘Import.’
Apesar de alguns contratempos, eu estava pronta para editar em 10 minutos. O iMovie definitivamente tem suas deficiências. Eu achei difícil fazer edições precisas, não pude editar as variações de áudio, e pude contar com poucas opções para adicionar texto. Mas também achei essas limitações estranhamente libertadoras – fiquei livre da preocupação excessiva com escolhas artísticas, e pude me concentrar em ser tão rápida quanto a minha habilidade permitisse. Em 56 minutos estava pronta para mostrar meu trabalho a um colega. Ele sugeriu encurtar algumas poucas tomadas, o que levou outros 10 minutos. Depois de 2 minutos exportando para um arquivo m4v, terminei meu trabalho, pronto para carregá-lo. Levei 8 minutos a mais do que esperava e alguns cortes estavam muito bruscos. Não achei o vídeo excelente, mas achei que ficou bom o suficiente.
Isabel Esterman - jornalista freelance
Diário de uma Repórter: Flores da Paraíba…Poesia e meio de sustento…
Nada mais inspirador do que desbravar paisagens rurais deste imenso país. E constatar que ainda tem muita gente que literalmente se sustenta do que a natureza produz nas formas mais simples – sem cobrar quase nada – a não ser o cuidado de mãos protetoras e gentis. Nada mais renovável e prosaico… Andando por aí conheci pessoas que trabalham com uma das coisas mais bonitas que meus olham encontraram: as flores – tão belas e poéticas.
Histórias de vidas bonitas esses roseirais adornam… Como as das mulheres do Avarzeado, zona rural de Pilões, no Brejo da Paraíba. Lugar de dominação cultural patriarcal – pouco dinheiro, pouca literatura, muita submissão e violência moral e física. Fugindo de um quadro de independência quase nula, um grupo resolveu plantar flores, aprendeu a organizar a atividade, a construir estufas, a gerir negócios. Hoje ela exportam flores e tem mais motivos para sonhar com um futuro mais colorido… História construída com muitas dificuldades, mas com fendas para a poesia…
Na cidade de nome sugestivo – Esperança – outra narrativa forte e dourada como o sol – da cor do ouro – da cor do girassóis… Descobri que na Paraíba tem Girassol… E que eles são lindos e mágicos, como exibiam as fotos que eu observava nos livros quando criança… Meus olhos brilharam quando eu vi no quintal de casinhas perdidas no meio do nada – aqueles discos alegres enfileirados, apontados em reverência ao sol… Na paisagem verde da Borborema, uma tonalidade amarelo forte que se destaca…Um contraste brasileiríssimo… E mais rico é constatar que esta planta pode ser explorada para a produção de fonte de energia renovável e poderia sim descentralizar a aquisição de riquezas…Nossos agricultores poderiam ganhar seu merecido dinheiro plantando essas coisas lindas e participando de uma etapa fundamental na produção de energia – essa aí que move esse mundo louco onde a gente é cada vez mais dependente de cada vez mais coisas…
Repórter do NYTimes dá dicas para cobrir Cultura
O site do New York Times tem uma coluna “Talk to The Times”, onde toda semana os leitores podem tirar dúvidas sobre determinada editoria com editores e repórteres consagrados do jornal. Achei interessante alguns esclarecimentos da repórter de cultura Robin Pogrebin* – e como também publico muito pouco sobre cultura – eis que reproduzo abaixo algumas questões que também podem nos interessar.
O papel do Repórter de Cultura
Como você vê o papel do repórter de cultura quando formata o assunto sobre o qual faz a reportagem? O repórter deveria exercer qualquer influência na formação da cultura ou apenas se empenhar em simplesmente observar? — Matthew DeLuca, Boston College
RP – Um repórter de cultura pode afetar o que está cobrindo simplesmente ao fazer uma cobertura. Quando você escreve sobre assuntos, eventos ou instituições em um jornal nacional, como o The New York Times, contamos ao mundo o que é digno de atenção, o que é, inevitavelmente, uma maneira de aprovar certos temas. O que nos traz uma certa responsabilidade de reportar tão imparcial e com precisão quanto pudermos. Não podemos escrever sobre tudo, então a decisão de dar espaço e tinta já tem impacto. Isto pode ser negativo, claro, se a cobertura é uma crítica que pode afetar uma apresentação ou exibição. Mas acredito que seja importante que um crítico de cultura tenha liberdade para verbalizar as suas opiniões sem se preocupar muito sobre o efeito de suas palavras — o que seria inibidor. Acredito que é importante para um repórter de cultura manter a mente aberta ao considerar o que dá mérito a cobertura. Não devemos certamente ser ditados por nossos gostos pessoais ao tomar decisões editoriais. Sempre aprecio descobrir uma área de artes que eu ainda não conhecia bem.
Decidindo o que cobrir
Com tantas galerias, eventos, filmes na cidade, como você escolhe qual deles cobrir? Fica mais inclinada para os grandes eventos ou para aqueles que você acredita que sejam culturalmente significantes? Em outras palavras, o que é boa arte? — Alexander P. Lewis
RP – Não decido o que cobrir baseado no que considero “boa arte” já que esta avaliação desafia qualquer critério objetivo. Eu decido o que cobrir baseado em acontecimentos que acredito que sejam genuinamente dignos de serem noticiados de alguma forma — por serem anteriormente desconhecidos, inovadores ou contra-intuitivos. Certamente há tópicos de interesse permanentes, como os desafios econômicos das instituições de cultura ou em que grau a cidade distribui dinheiro para as organizações de cultura. Geralmente, eu procuro por reportagens que se sobressaiam a partir do valor que têm, que eu acredito que os leitores vão achar envolventes.
Uma definição de cultura?
Imagino se você tem uma definição de cultura palpável. Me ocorre que não há uma definição clássica, já que a cultura move de acordo com o tempo e varia de geração para geração. Você hesita em se envolver em alguns eventos porque os considera muito vanguardistas (a frente do tempo)? — Edward Allen
RP - A definição de cultura é um alvo em movimento, considerando o tempo tecnologicamente avançado em que vivemos. Nossas páginas de cultura, por exemplo, incluem coberturas de vídeo games e de publicação de livros na Internet. Eu jamais evitaria cobrir atividades culturais por as qualificar como de vanguarda. Faço determinações sobre o que cobrir baseado no critério aplicável a qualquer matéria noticiosa: isto é um novo acontecimento que vale a pena explorar? Seria de interesse para um amplo número de leitores? O tema específico levanta questões internas?
Os jornais podem durar?
Os jornais e velhos media irão sobreviver como fontes de informação pública aberta com os desenvolvimentos das tecnologias de mídia pessoal e da bioengenharia? — Jack Susman.
RP - Embora os jornais estejam certamente ameaçados pelos desenvolvimentos tecnológicos, eu desejaria que os leitores continuassem a compreender o valor adicional de publicações como o The Times, quer eles leiam isto online ou no papel. As notícias diárias certamente podem ser obtidas a partir de inúmeras fontes hoje em dia, mas eu argumentaria que a qualidade dos jornais com alto padrão editorial como o The Times oferecem valores adicionais em análises, alcance, profundidade e na qualidade da escrita, que não podem ser facilmente imitados ou substituídos.
*Robin Pogrebin é repórter de cultura do The New York Times. Ela cobre instituições de arte, arquitetura e outros tópicos. Trabalhou como produtora de documentários do canal de TV ABC News, onde produziu reportagens sobre a Bósnia e o Haiti. Também foi repórter no The New York Observer e publicou artigos como freelancer para as revistas New York, Vogue e Departures.
Caminhada ou corrida? A arte de falar em público.
Falar em público quase sempre não é uma tarefa fácil, principalmente porque geralmente não somos bem preparados para isso. Corre a fábula de que um jornalista não enfrenta essa dificuldade. Nada mais equivocado. Principalmente quando assume posições de comando – e isso vale para qualquer profissional – naturalmente surge mais uma responsabilidade intrínseca e para qual geralmente você não recebeu nenhum treinamento: a arte de falar em público.
É uma habilidade necessária para liderar reuniões, apresentar trabalhos, apontar idéias, fazer discursos ou dar palestras em workshops. Muitos acham isto doloroso – é um território desconhecido. E mesmo para aqueles que não se intimidam diante de uma plateia, querem saber como fazer isto bem e cada vez melhor.
Jill Geisler, do Poynter, que tem ampla experiência em telejornalismo – treinando desde aspirantes a âncoras a editores – dá algumas dicas que podem nos ajudar a conquistar mais segurança na área:
1. Comando vem do conforto. Sentar ou ficar de pé muito ereto, com os movimentos limitados, faz você parecer tenso e tímido. Da próxima vez que tiver uma conversa com um amigo, pare e observe sua postura. Você está relaxado, seus movimentos são naturais, seus gestos são espontâneos? Você faz contato visual enquanto destaca pontos importantes e quebra esse contato naturalmente, no meio da conversa? Se você tem uma coceira no nariz, faz isso sem hesitar? Ótimos palestrantes costumam aparentar este conforto. Eles tratam a audiência como amigos.
2. Entregue pensamentos, não apenas palavras. Quem fala em público parece desastrado quando tenta apenas empurrar as palavras para fora na ordem que escreveu – ao invés de agrupá-las dentro de frases ou pensamentos coerentes. Pergunte a si mesmo – sobre o que é mesmo este discurso, apresentação ou conversa? Qual é o tema que sustenta? Quais ideias você quer destacar e quais palavras expressam melhor esta mensagem? Se você trabalha a partir de um documento escrito, não sublinhe apenas as palavras que você quer enfatizar. Sublinhe frases também.
3. Caminhe, não corra. O objetivo de sua conversa não é finalizá-la rápido e livre de erros. O objetivo é se conectar com o ouvinte em todos os pontos importantes que você deseja fazer. Alguns pensamentos são melhores repassados de forma rápida, outros mais lento. Quando você começa a entregar idéias ao invés de apenas palavras, você reconhece que a variação de tempo vem naturalmente. Para praticar isto, escolha um livro, depois pegue a versão deste livro gravado em áudio. Observe como um leitor talentoso varia o ritmo.
4. Pausa por uma causa. Pausas são muito poderosas. Eles levam a audiência a prestar mais atenção ao que vem depois. Falantes nervosos pensam que as pausas são mortais – evidência de que estão fora de controle. Mas pausas corretamente localizadas são maravilhosas. Grandes locutores costumam fazer pausas antes das palavras mais importantes de cada sentença, levando os ouvintes a esperarem por essas palavras. Não tenha medo de pausas; planeje usá-las mais sabiamente.
5. Volume não é ênfase. Falantes amadores frequentemente erram ao aumentar a voz quando querem enfatizar um ponto. Há muitas ferramentas que você pode usar para enfatizar algo: dando uma pausa, abaixando sua voz, desenhando uma palavra ou um pensamento, repetindo, e, às vezes, aumentando o volume. Saiba porque você está usando cada ferramenta.
6. Saiba como você vai terminar. Este é o segredo que eu ensino para repórteres que querem parecer melhor ao vivo, na cena da reportagem. Pense sobre como você quer terminar sua aparição. Você vai ter mais confiança – como um corredor que quer ver a linha final – se você tiver um plano sobre como você vai embrulhar seu produto. Isto vai proteger você de erros, de repetir palavras desnecessariamente, ou de dizer “Bem, é isto”. Ao invés disso, sua apresentação vai terminar com impacto.
História de um garoto no Balão – “Jornalismo em uma Era onde todo mundo pode jogar”

Sátira a farsa para aparecer na TV - Mãe sorri para as câmeras fora da casa de Richard e Mayumi Heene - pais do garoto que supostamente teria voado em um balão acidentalmente.
“O garoto do balão”. A história explodiu na TV e no Twitter – um menino de 6 anos cruzando o céu do Colorado, nos Estados Unidos, sozinho dentro de um balão de gás. Todo mundo ficou acompanhado o desfecho, imaginando se a criança sairia com vida, onde e como o balão aterrissaria.
O que seria um acontecimento dramático para uma família, no fim das contas era uma farsa montada pelos próprios pais – que para (?) surpresa geral, inventaram a história buscando ficar em evidência e conseguir um contrato em algum programa de televisão.
Numa análise mais profunda, rende até estudo sobre essa influência do reality show na sociedade, a obsessão por essa necessidade de aparecer e de ser visto.
As autoridades caíram no conto e – aparentemente – a Imprensa também.
Mas e como foi esse processo de apuração? Para quem acompanhou pela TV a cobertura, ficou parecendo um pastelão midiático. O episódio sinaliza para a necessidade de checagem da informação e em tempos de Jornalismo Cidadão, a obrigatoriedade de um filtro em tudo o que é dito – até chegar ao que vai ser publicado.
Al Thompkins, do Poynter, entrevistou a editora chefe da emissora de Denver (premiada pela cobertura do atentado em Columbine), que recebeu o primeiro telefonema do pai e acabou repercutindo o fato em escala nacional. Serve como exemplo para evitar futuros episódios de showrnalismo com ares de comédia pastelão. Nem tudo em TV é um reality show, nem pode ser.
Al Tompkins: Como sua redação lidou com a ligação de Richard Heene. Antes de colocar a história no ar, o que vocês fizeram para tentar descobrir se era real?
Patti Dennis: Richard Heene ligou para a redação às 11:05 da manhã. Histérico, ele disse para nosso chefe de produção que seu filho estava flutuando em um balão de gás e nos perguntou se podíamos lançar o Sky9 para encontrá-lo. O editor começou a questionar Heene para saber se a história era verdadeira.
Heene disse ao editor que ele tinha ligado para nós e sua esposa para o 911. O editor pediu um número de telefone e informou que ia conversar com o diretor da emissora. O editor veio até meu escritório muito enrolado com a história de um balão flutuando por Fort Collins com um garoto de 6 anos dentro. Levei alguns minutos para sequer conseguir captar o que ele estava dizendo.
Nossa secretária já estava ligando para a polícia de Fort Collins e para o escritório do delegado do condado. Não conseguimos a confirmação imediata, pedi o telefone de Heene (pai da criança), então liguei para ele. Ele se identificou e disse que seu filho estava flutuando sem rumo depois de entrar acidentalmente dentro de seu balão de gás. Eu disse que não acreditava nele. Perguntei porque ele não estava seguindo o balão com o seu carro. Heene me disse que “eles” disseram para ele permanecer a postos. Perguntei o nome do filho e qual escola ele estava matriculado, porque achava que poderia nos ajudar a cruzar as referências da história dele. Então perguntei porque ele não tinha ligado para a polícia, ele disse que o oficial estava lá. Pedi para ele colocar o policial no telefone. O oficial entrou na linha e eu perguntei o nome dele. Disse a ele que não acreditava nele e que achava que ele fazia parte disto. Disse que podíamos usar nosso helicóptero se fosse verdade. Perguntei seu nome, número de distintivo e nome do seu supervisor. Nessa hora o oficial Jake Bowser me disse: “Madame, isso é um negócio sério”. Era 11:52 da manhã e assim como ele havia dito, um de nossos editores recebeu uma ligação do delegado informando que eles estavam começando uma busca por uma criança desaparecida em um balão. Nós lançamos o helicóptero, enviei uma série de e-mails, mensagens de texto, publiquei uma reportagem na Web e soltei no noticiário de meio-dia uma reportagem em um mapa. Nós tivemos nossas primeiras imagens do Sky9 ao vivo às 12:09 e nossa primeira visão do balão voador às 12:34.
Alguém da sua redação reconheceu Heene antes de vocês irem ao ar? Vocês sabiam com quem estavam lidando?
Dennis: Ninguém reconheceu o nome dele, mas os telespectadores rapidamente começaram a enviar e-mails dizendo que ele estava no programa de TV “Wife Swap.” Um dos nossos produtores investigativos fez uma busca no arquivo e descobriu que Heene e sua mulher participaram de um programa matutino nosso em 2007 fazendo uma demonstração de como construir foguetes em miniatura.
Que precauções vocês tomaram para não mostrar uma queda desastrosa ou um garoto pulando do balão?
Dennis: Eu estava na suíte durante todo o evento e conversamos sobre o que fazer. Não temos um delay (atraso) no sistema, então nos preparamos para tirar a transmissão ao vivo se houvesse uma queda. Como foi exibido, o balão fazia uma descida muito lenta, então decidimos permanecer com a cobertura em tempo real durante todo o tempo.
Como uma história como esta afeta sua capacidade de julgar notícias? Pode ser tentador não acreditar em mais ninguém.
Dennis: Acho que sempre tivemos uma boa dose de ceticismo e isso continua. Pressionamos Heene firmemente nesta reportagem desde a primeira ligação que fizemos para a casa dele. Decidimos que quando os oficiais nos disseram que se tratava de uma emergência, tínhamos obrigação moral de usar nossos recursos e habilidades para informar o público o mais rápido que pudéssemos. Isto não foi fácil de ser feito. Durante Columbine, o volume de ligações de telespectadores sobre a visão de policiais, bombeiros e ambulâncias na Columbine High School me deram a confiança de que havia alguma coisa acontecendo e alguma coisa que seria notícia. Você tem que fazer tantas perguntas quantas for possível, ser cético e usar sua coragem!
O que você pode nos ensinar, que aprendeu com esse episódio?
Dennis: Há mais e mais pessoas querendo enganar e manipular os media. Você deve ter um processo de vetar as contribuições dos consumidores de notícias. Todos em uma redação devem ser diligentes na checagem de palpites e ligações. Recebemos centenas de sugestões a cada semana. Gastamos muito tempo tentando determinar se há uma história e como trabalhar em torno de uma agenda de notícias que o pauteiro provavelmente tem. Nada muito profundo, mas soa como jornalismo em uma Era onde todo mundo consegue jogar.
Do que você precisa para ser contratado pela CNN?

Há cerca de 1 ano, a CNN anunciou que estava contratando o que eles chamaram de “all-platform journalists” (jornalistas de todas as plataformas), para expandir a cobertura em dez cidades dos Estados Unidos. Até agora, eles contrataram apenas quatro.
O diretor de cobertura da emissora, Victor Hernandez, disse em um workshop do RTNDA (Assoc. de Rádio e TV Americana) que eles enfrentam dificuldades para encontrar profissionais que atendam os critérios exigidos.
E quais são?
- Força editorial
- Técnica superior
- Presença no ar
- Mentalidade excepcional
De acordo com ele, a mentalidade é o mais importante de todos. A CNN quer que os seus “APJs” (“all-platform journalists”) sejam agnósticos quando o assunto é plataforma – ou seja, que não se limitem a nenhuma só crença pré-determinada.
“Queremos que eles olhem para o conteúdo de uma narrativa e não sejam que sejam envolvidos por idéias precedentes e a maneira como as coisas sempre tem sido feitas. É a habilidade de olhar cada história e transportá-la para a melhor plataforma”.
Os repórteres que eles contrataram até agora não trabalham em turnos convencionais – de preferência têm muitos dias para trabalhar em uma única reportagem.
Outro ponto importante: o objetivo da CNN é contratar pessoas com estilo único – “é realmente o repórter ‘anti-TV’ em termos de visual” Hernandez disse. “Nós queremos alguém espirituoso, espontâneo, interativo”
Os APJs tem que estar muito confortáveis com as tecnologias digitais também. Eles tem que saber usar o Final Cut Pro, por exemplo, um programa de edição de imagens profissional. Embora precisem de algum tipo de treinamento, já tem que bater na porta da emissora com habilidades em nível intermediário.
Tudo isso porque vão precisar trabalhar com um extensivo kit multimídia, usar inovações tecnológicas de ponta – como o sistema da CNN designado para capturar imagens de alta resolução que são enviadas para a redação ao vivo em poucos minutos. O que consta no kit da CNN All Platform?
- Câmera Sony Z1UHD
- Câmera fotográfica Canon
- Flip cam
-MacBook Pro
-Smart phones
-Air card (cartões de conexão sem fio)
-Telefones de satélite (telefone móvel que se conecta com satélites em órbita e tem cobertura em toda a terra)
Hernandez destacou os fantásticos avanços na cobertura possibilitados pela inovação tecnológica: “Anderson Cooper ficou ao vivo por uma semana inteira no Afeganistão através do IPTV. Não havia equipamento de satélite tradicional. Fizemos tudo através do Skype e alguns outros aplicativos. A diferença de qualidade era quase imperceptível do que temos de um satélite, mas o custo equivale a 10%”.
A CNN espera que estas ferramentas possam ajudar a energizar sua própria operação de notícias, ajudar jornalistas a pensarem diferentemente sobre o que pode ser possível, mesmo em tempos de economia difícil.
“Quero que tenhamos aquele start-up mental. Você sabe, aquele que diz ‘encontre uma próxima coisa ou você não vai comer na próxima semana”.
Em clima de Halloween: super-heróis da vida real
Às vésperas do Halloween – uma das datas mais badaladas nos EUA – só me lembro de uma reportagem que o New York Times publicou em 2007 – e que nunca saiu da minha cabeça pelo tema original e inusitado.
Vestido para o Halloween? Não, para limpar a Times Square. Este é o título de uma matéria sobre um grupo de ativistas americanos que se conheceram através do MySpace (site de relacionamentos), os “Superheroes Anonymous” (super-heróis anônimos).
Eles se auto-definem como “super-heróis da vida real” que circulam pelas ruas (principalmente de New York) praticando boas ações.
Os integrantes, literalmente, se vestem como heróis (e parecem estar prontos para o Halloween, embora não chamem o que vestem de fantasia, mas de uniforme): Vestem capas, misturam roupas extravagantes, além de usarem máscara para preservar suas identidades (também não revelam os nomes reais, eles têm apelidos como Street Hero, Red Justice, Cleaner, Direction Man).
O que fazem? cada um tem sua forma de ajudar o próximo.
Uma das “heroínas” é ex-prostituta e anda pelas ruas ajudando como pode outras mulheres que ainda estão na prostituição. Um deles (o Direction Man) guarda mapas no seu colete laranja para ajudar turistas e moradores perdidos. A “Cleanser” cata papéis pelas ruas, vestida à caráter. O “Red Justice” canta em metrôs para encorajar jovens a cederem seus assentos para os mais necessitados.
O líder do grupo é cineasta amador, estuda em Columbia e está produzindo um documentário com os “super-heróis”. Ele disse que luta contra o pior dos crimes: a apatia.
Já outro deles, o The Super, disse que resolveu mudar de atitude quando quase perdeu um amigo que caiu de um andaime: “Eu falei para mim mesmo: se eu tiver que esperar pelo prefeito da cidade para consertar tudo o que há de errado e perigoso na cidade, isso nunca vai acabar”, diz ele.
O The Super falou que é muito zombado, além de já ter sido alvo de ovos, pedras e até mesmo de um pedaço de carne congelada.E termina a matéria dizendo: “Não tenho muitos amigos. Muitos super-heróis estão tropeçando pelo caminho. E parte disto faz você definitivamente se sentir isolado, porque ninguém te compreende.”
Às vésperas de 31 de outubro, a reportagem traz jogo de sentidos interessante: um grupo de ativistas inusitado, em plena época de fantasia, na cidade mais americana do país do Halloween.
Um misto de matéria divertida (porque causa estranheza), mas com uma temática no fim das contas bem séria: talvez seja esta uma das propostas de um jornalismo com “humor”, que trata de assuntos “sérios” de forma mais leve e consequentemente mais atraente.
Um grupo de pessoas que, absolutamente, foge desse estado de mansidão (ideológica) em que a maioria de nós vive. Mas sabe o que mais causa estranheza? Não é ver pessoas de repente vestidas de super-heróis ajudando outras em plena cidade que respira individualidade. O que é mais estranho somos nós estranharmos este tipo de atitude. E muito mais bizarro é ter pessoas que zombam e agridem física e verbalmente seres humanos que se libertaram das convenções de uma sociedade que não se respeita e, com pequenas atitudes, não só estão reclamando, como estão pondo a mão na massa.
Guia da Fundação Nieman para cobertura de Pandemias
A Nieman Foundation, organização de pesquisa do curso de Jornalismo de Harvard, disponibilizou um guia completo para a cobertura de pandemias: com fontes de pesquisa para repórteres e editores que trabalham com detalhes muitas vezes complexos e confusos nas reportagens sobre gripe. A maior parte das informações são relevantes para qualquer tipo de pandemia e influenza, se estendendo além vírus H1N1. “É escrito e editado por jornalistas, para jornalistas”.
Em tempos de recessão, a bicicleta é opção…(ou não)

Lucy Danziger, editora da Self, que pedala do Upper East Side para o escritório da Condé Nast no Midtown.
Que tal economizar dinheiro com transporte, indo de bicicleta para o trabalho? Essa foi a opção de uma das editoras chefes da Condé Nast, um dos maiores conglomerados do mercado de publicação impressa dos Estados Unidos. A crise atingiu forte: nos últimos meses quatro revistas decretaram falência e as restantes – dentre elas a Vogue de Anna Wintour – tiveram que cortar um quarto do orçamento para se manterem no mercado.
Então, Lucy Danziger (a da foto), achou melhor abrir mão da regalia de ter um carro exclusivo da empresa a seu dispor – melhor ficar com o emprego. E vai trabalhar de bike. Ela disse que não espera andar de bicicleta durante as nevascas ou quando tiver reuniões excepcionalmente importantes. Disse que pode até dividir um táxi para poupar dinheiro: “Uma coisa muito New York de se fazer”.
Pois é, infelizmente, isso ainda não é uma “coisa muito Brasil de se fazer”. Lá eles se preocupam com o frio. Aqui nós temos que enfrentar um calor insuportável, falta de ciclovias e dividir táxi não é lá muito aconselhável. De bicicleta corremos o risco de chegar com aparência deplorável ou até mesmo de nem chegar. Ah – esqueci do risco de perder a bicicleta – roubada.
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