Foco: Mídia eletrônica
Desde que entrei no imenso universo dos blogueiros me deparei com um dilema: definir sobre o que escrever – qual é o foco? Sempre aprendi que devemos delimitar o objeto e dissecá-lo. Quer seja produzindo uma reportagem, quer seja fazendo uma pesquisa, por exemplo. Mas gosto de escrever sobre tantas coisas…Me interesso por muitos focos. Primeiro veio Diário de uma Foca. Defini o blog como uma espécie de diário no qual ia relatando assuntos que me chamavam a atenção em determinado dia ou momento profissional. De uns tempos pra cá, começou a ficar confuso…Nem sou mais foca (acho que não), nem conseguia mais encontrar uma funcionalidade nesse diário. Decidi expandir os assuntos no blog OMomentum. Tudo bem, mas às vezes por falta de tempo e disposição acabava me dedicando mais a um deles e novamente deixava passar muitas leituras interessantes do universo jornalístico que mais me identifico. Assim, Diário de uma Foca encerra suas páginas. OMomentum continua para suprir as leituras mais “leves”, de um universo paralelo. E o Telemultimidia abre espaço para a mídia eletrônica, para um universo onde não se define o jornalista de impresso, rádio, televisão ou internet – mas sim o “jornalista multimídia”, aquele que transita entre todas essas plataformas e busca não a concorrência entre os meios, mas a valorização da notícia. Falar sobre isso sempre me traz à mente um texto de um dos maiores pensadores do jornalismo brasileiro, o professor Nilson Lage:
“Não existem radiojornalismo, telejornalismo ou webjornalismo, da mesma forma que não existem magazine-jornalismo, diário-jornalismo, agência-jornalismo, assessoria-jornalismo ou celulares-jornalismo. O jornalismo é a atividade e serviço público que se adapta a diferentes meios tecnológicos e convive com os usos econômicos e culturais desses meios. No entanto, há diferenças importantes nos mecanismos perceptivos de quem lê, contempla ou ouve; e as circunstâncias da percepção variam do segundo plano de quem dirige automóvel com o rádio sintonizado, até o primeiríssimo plano de quem imerge no ambiente de um programa de TV em tela ampla. O jornalismo trafega informação nova, ou, ainda que antiga, desconhecida do público – e, portanto, só então revelada. O critério de seleção é o interesse jornalístico, difícil de definir porque varia com o fluxo da história e a ideologia, entendida como a maneira como a sociedade ou grupo social representam a realidade para si mesmos. A crise do jornalismo não reside na troca de mídias, ou na introdução da cor na televisão nem na utilização do computador em todas as fases do processo criativo. Resulta da incapacidade de confrontar preconceitos, saberes entrincheirados e arcaicos; conviver com o fascismo que ressurge de várias formas; enfrentar a crença corrente de que a informação do mal é mais perigosa do que o mal em si.” (Nilson Lage, Teoria e Técnica do Texto Jornalístico, 2005)
Texto lúcido desse pensador, que tive o imenso prazer de conhecer. Palavras que descrevem o mais coerentemente possível as diferenças e os objetivos entre os meios. E como cada um faz parte de um mesmo processo: o de noticiar.
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