Cinco mitos sobre a reportagem curta e objetiva
Leitores/Telespectadores sinalizam que buscam um texto conciso e claro.
Editores querem que esta preferência seja atendida. E nós redatores – teimamos – em continuar no mesmo caminho. Teimosia talvez não seja bem a palavra, escrever bem em poucas palavras não é necessariamente uma tarefa fácil.
Roy Clark – especialista no debate longo X curto sinaliza a recuperação: “Nós percebemos que a pena que produziu “Hamlet” também borrou um soneto ou dois”.
Estudando “a arte do texto enxuto”, o autor encontrou cinco argumentos que hoje considera mitos.
“Até nós dissiparmos esses mitos, não apenas nossas longas histórias vão ser muito longas, mas também as curtas vão ser longas também”.
Mito #1. Repórteres são culpados por todas as reportagens longas.
Errado. A culpa está também nos editores. Por quê? Muitos editores procuram “buracos” nas reportagens ao editar. Acompanham as reportagens a partir de coisas que estão faltando. “Nós sabemos o que o prefeito pensa sobre isto?”; “O que aconteceu com as garotas no acidente?”; “Você pegou o nome do cachorro?” Em geral, tais questões ajudam o repórter a antecipar as necessidades do telespectador. Mas muitas a meta é escrever uma reportagem que antecipa as perguntas dos editores. O repórter acaba colocando informações que o telespectador não precisa – apenas para satisfazer a curiosidade do editor. Querido editor: essa mecânica deixa o texto mais longo e cansativo.
Mito #2. História concisa leva menos tempo para ser produzida.
Errado. Testemunho disto é o filósofo francês Pascal (autor da célebre frase “o coração tem razões que a própria razão desconhece”). Ele pediu desculpa a um leitor para um leitor por ter escrito uma longa carta, argumentando que não teve tempo de escrever uma curta.
Produzir uma reportagem completa e sucinta leva tão ou muito mais tempo do que fazer uma longa. Por quê? Porque o repórter precisa ter autoridade para deixar as coisas de fora. Dissipar-se deste mito é crucial para fazer um texto sucinto pela necessidade do leitor e não porque não tem boas sonoras ou falta de informações.
Mito #3. Reportagem pequena toma menos tempo.
Nem sempre essa questão é simples aritmética: menos palavras = menos espaço. Editores espertos – de texto e de imagem – percebem que ótimas histórias criam espaços para outros elementos da história. Uma reportagem pode ser acompanhada de múltiplas sonoras, tabelas informativas, imagens soltas com “sobe som”, os recursos gráficos são cada vez mais acessíveis. Reportagem concisa não significa que o editor não possa fazer melhor uso do “espaço em branco”. Esses elementos podem aumentar o tempo do VT, mas certamente tem mais impacto do que um texto inflado e “seco”.
Mito #4. Curto é inimigo do longo.
O problema não é a proliferação das reportagens longas, profundas e investigativas. Essas aparecem em menor quantidade e normalmente são justificáveis. O inimigo de ambos – pequeno e grande – é o termo médio. Muitas dessas reportagens poderiam ser cortadas um 1 terço. Editores são os culpados novamente. Protestam diante de VT’s longos, mas não arredondam as histórias, deixando-as mais concisas e precisas. Menores histórias médias poderiam criar espaço para uma combinação mais rica entre pequena e grande reportagem.
Mito #5. Pequeno é inimigo de bom.
Reportagem curta não tem que resultar em diminuição de valor. Em seu melhor, a pequena reportagem brilha em torno de focos específicos. Começa com um elemento esperto e convincente e se fixa na memória do telespectador.
Editores que ajudam a desfazer estes cinco mitos podem conquistar a confiança de repórteres céticos, quando juntos melhoram o produto final pensando na audiência.
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Olha,desculpe, a meu ver você generaliza demais e também culpa excesivamente os editores por erros de tempo da matéria. Fora a Rede Globo, nas demais emissoras normalmente o repórter escreve o próprio off. E se um off é estruturado para ser longo, o simples corte desamarra a matéria. Vira uma colcha de retalhos mal-feira no ar. Ao tirar do repórter a responsabilidade da concisão e dos textos precisos você tem uma visão distorcida do bom trabalho em telejornalismo. Matérias longas que jogam para o editor a missão de encurtá-las mostram apenas a insegurança é o despreparo de um repórter que não sabe o que é notícia e joga a responsabilidade para o outro.
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