Cobertura Especial: Gripe Suína no Ar
O volume de atenção da mídia a Gripe Suína sugere um momento de tensão nas redações: este é um dos acontecimentos que ocupa praticamente 100% da programação jornalística. É notícia que envolve toda a sociedade e merece a atenção dos jornalistas. Mas é preciso tomar cuidado com exageros (sensacionalistas) que podem acabar criando pânico na audiência. A associação de diretores de Rádio e Televisão dos Estados Unidos (RTNDA) publicou um especial com dicas para a cobertura de Surtos como a Gripe Suína – se o surto deixa o mundo de pernas para o ar, imagina o que pode fazer com as redações.
Desenvolva um plano – Sua redação tem alguma idéia do que é essa doença perigosa? Você já planejou como irá cobrir uma possível pandemia de tal forma que seja útil para o público, mas minimize o risco para a equipe?
É preciso ter em mente que talvez seja preciso modificar e estender horários de trabalho da equipe, aumentar o tempo da programação, colocar flashs e até entrar no ar sem comerciais.
Prepare sua redação
Muitas redações modernas já encararam o desafio de noticiar durante crises – como em ataques terroristas, furacões e tornados – mas é preciso pensar que cobrir uma pandemia de gripe é bem diferente. É necessário considerar que teoricamente um vírus possa sobreviver a teclados, telefones e outros equipamentos da redação por horas após o contato com uma pessoa infectada. Considerando que a cobertura pode expor repórteres e cinegrafistas a um vírus que pode ser mortal. Cientistas dizem que não podem identificar grupos de risco para infecção severa e fatal, mas acreditam que crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas estão expostas a um risco maior. Mas ter uma equipe jovem e saudável não torna a redação imune. Por isso é preciso pensar primeiro na segurança da equipe e ter precaução. Muitos casos de possíveis pessoas infectadas estão se espalhando até aqui no Brasil, então a doença pode estar mais próxima do que se imagina.
Cubra a História
- Usando a equipe saudável que tiver disponível, reserve energia para acompanhar o delicado balanço entre causar pânico e subestimar a seriedade de uma pandemia. Jornalistas podem ajudar a salvar vidas e suavizar os efeitos da doença.
- Redações devem levantar a relação de hospitais e agências de gerenciamento de emergência e indagar quais sãos os planos para enfrentar a crise.
- Um dos primeiros passos é levantar a relação de médicos e representantes de outras fontes e organizar um plano de trabalho antes que os mesmo estejam agendados com outros veículos ou atarefados com as necessidades da população.
- Negocie que a liberação de boletins e releases coincida com a hora do telejornal.
- Tenha os contatos primários e secundários das autoridades envolvidas no combate ao vírus: telefones do trabalho, do celular e até de casa.
- Convença as autoridades de que sua emissora pode ajudar a reduzir a carga de trabalho deles a partir do suprimento de muitas informações necessárias.
- É importante checar serviços que fazem parte das atividades diárias da população como escolas, supermercados ou creches e saber quais são os planos específicos desses lugares durante a crise.
- Produza histórias que relatem os planos de emergência para sua cidade e informe sua audiência sobre o que as autoridades têm em mente sobre a possível ameaça.
- Não suponha que cidades têm planos e áreas rurais não. Telespectadores vão se sentir mais confortáveis se conhecerem planos detalhados que estão sendo desenvolvidos. Você pode estimular organizações a tomarem essa iniciativa se ainda não o fizeram.
- Traga sempre histórias de última hora durante um surto. O aumento da preocupação com a segurança pessoal torna a transmissão midiática muito mais importante.
- A população necessita de informações precisas, assim como os cientistas vão investigar possíveis futuros surtos. Sempre vai haver um atraso para a verificação de um fato. Mesmo que seja difícil ser paciente tendo uma programação diária extensa, resista a tentação de dar notícias não confirmadas. Você vai escutar rumores em blogs ou em praticamente todo lugar, mas procure especialistas para os fatos.
Crise só no Impresso? Não! Na TV também.
As TV’s locais nos EUA registraram uma queda na oferta de empregos de 4.3% e uma redução nos salários de 4.4% em 2008, de acordo com um estudo apresentado na convenção da National Association of Broadcasters, em Las Vegas, a NAB show. 1.200 empregos foram perdidos. Mas – curiosamente – ao mesmo tempo, as estações de TV registraram um recorde no volume de notícias colocadas no ar. “As estações não estão de jeito nenhum desistindo das noticias locais”, concluíram os condutores da pesquisa. Repórteres e âncoras foram os mais afetados nos cortes de salários. Eis os transtornos na perda de rendimentos:
- Repórteres: -13.3%
- Âncoras: -11.5 %
- Apresentadores do tempo: -9.1%
- Apresentadores esportivos: -8.9%
3 coisas que afetam credibilidade no telejornalismo
3 elementos que podem prejudicar a credibilidade de uma reportagem, de acordo com pesquisa organizada pela RTNDA (The Radio and Television News Directors Foundation):
Fonte Anônimas: Não é recomendado o uso frequente de fontes confidenciais. Essa prática deve surgir só em casos excepcionais – em TV é inviável contar um fato sem a presença do personagem que o legitime – mesmo que este apareça com todos os recursos de edição que impeçam a identificação. Quando fontes anônimas aparecem em uma reportagem, telespectadores acreditam apenas em metade ou menos da metade do que a fonte diz.
Câmera Escondida: Para a pesquisa, as estações de TV utilizam a câmera escondida quando o alvo são pequenos infratores, não quando há a presença dos grandes violadores da lei. Se as estações de TV vão usar câmera escondida, a recomendação é investir mais tempo na investigação, para ter certeza de que vá se exibir parte de um crime organizado, não apenas um caso isolado. A orientação diz que esta técnica só deveria ser usada em histórias de grande relevância social.
Comercial: Quase todos os participantes da pesquisa disseram que seria lógico acreditar que empresas que compram espaço comercial na TV podem receber cobertura noticiosa favorável. A maior parte da audiência acredita que anunciantes, grandes investidores e políticos influenciam inadequadamente o conteúdo noticioso.
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