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Frase do dia… Alberto Dines

Transparency - Flickr (Galeria de T Glow)

"Transparency" - Flickr (Galeria de T Glow)

“A sociedade que aceita qualquer jornalismo não merece jornalismo melhor.”

(Alberto Dines)

agosto 21, 2009 Publicado por | Ética, Jornalismo | , , | Deixe um comentário

10 dicas para uma entrevista eficiente

Entrevista impecável é aquela que…

- O repórter faz perguntas, cujas respostas todos querem saber.

- É publicada sem erros ou distorções.

- Faz parte de uma reportagem tão impecável que o entrevistado prefere assumir que não sabia o que estava dizendo, a ter de desmentir o repórter.

- Tem perguntas precisas, respostas corretas, publicação sem falhas.

- Desmente o entrevistado, mas não desmente o repórter.

- É “pingue-pongue”: perguntas e respostas, olho no olho, gravador ligado – uma das grandes armas jornalísticas para descobrir a verdade. Mas são cada vez menos freqüentes: ocupam espaço, exigem que o repórter saia da Redação, dão trabalho para marcar. A entrevista pingue-pongue individualiza os jornais. E geralmente ajudam a construir reportagens que marcam época.

Ricardo Kotscho já disse uma vez: se o telefone não funciona, a reportagem pára (e sem os portais de internet e as agências oficiais, pára o jornal inteiro).  

Dez dicas básicas para uma entrevista proveitosa. (Baseado em orientações do Committee of Concerned Journalists):

1.  Esteja preparado! Sempre estude o assunto sobre o qual vai falar e a pessoa que vai entrevistar. Quando for marcar a entrevista, peça ao entrevistado sugestões de outras fontes de informação sobre o assunto que vocês vão discutir. O entrevistado apreciará seu interesse e pode dividir com você documentos valiosos. Tenha certeza de que as baterias do seu gravador estão carregadas, e tenha uma caneta extra e papel suficiente para as anotações.

2.  Deixe claro as regras da entrevista logo no início! Tenha certeza de que o entrevistado entendeu a matéria na qual você está trabalhando (isto ajudar a manter a “rota” da entrevista). Além disso, ele deve entender que tudo o que está dizendo está “on the record.” (sendo gravado).  Embora a maioria dos políticos e autoridades tenham experiência suficiente com jornalistas para indicar quando alguma coisa é “off-the record”(com gravador desligado) ou “on background” (resumo de uma fala que pode ser usado, e não a citação direta), outros especialistas podem não entender essas diferenças. Esses esclarecimentos iniciais podem ser exigidos, posteriormente, (especialmente quando seu trabalho ou sua vida possam ficar comprometidos por causa dessas citações).

3.  Seja pontual! A pior impressão que você pode causar na fonte é chegar atrasado à entrevista.

4.  Seja observador! Observe detalhes do lugar e do entrevistado; isso pode dar mais à sua história. Se a entrevista é na casa ou no escritório da pessoa, dê uma boa olhada em volta e note o que vê. Ele pode ter uma velha foto que o mostra em momentos mais pessoais (e que podem contar mais coisas sobre ele do que centenas de palavras). Você pode até começar uma entrevista trazendo elementos que criem uma impressão completamente inusitada. Entretanto, fazer isso requer muito cuidado. Percepção é um negócio não muito confiável! Tente conversar com terceiros sobre as suas intenções, com colegas e amigos do entrevistado, para pintar um quadro mais exato.

5.  Seja delicado. Não espante sua fonte! É importante estabelecer uma relação de confiança e um nível de conforto com o entrevistado. Algumas pessoas precisam de alguns minutos para se sentir confortáveis com repórteres. Mesmo que você tenha apenas 30 minutos para uma entrevista, não apresse sua fonte. Se você sentir que ele é quem está com pressa, tente ajustar seu tempo de acordo com o dele. Dê tempo para que ele possa provar seu valor, especialmente quando você vai precisar dele em futuras histórias. Se a entrevista caminha bem, pode até levar mais tempo do que o combinado. Programe tempo suficiente entres seus compromissos, para evitar choques de horário.  

6.  Escute mas não tenha medo de interromper quando não entender! Lembre-se sempre de sua audiência!  A razão para conduzir a entrevista é informar algo para os seus leitores. Se o entrevistado utiliza jargões científicos e explicações que apenas pessoas equivalentes a ele entenderiam, educadamente interrompa e peça mais explicações. Nunca se sinta embaraçado por não saber de alguma coisa.

7.  Silêncio é precioso. Mais cedo ou mais tarde você fará perguntas mais duras que o seu entrevistado pode se recusar a discutir. Quando você começa logo com as perguntas provocativas, as repostas muito provavelmente serão curtas, inúteis ou cuidadosamente formuladas. Pode ser que você não consiga mais nenhuma resposta. Se isso acontecer, olhe para a sua fonte nos olhos e não diga nenhuma palavra. Na maioria dos casos, seu oponente começará a se sentir desconfortável e começará a falar novamente. Se essa tática não funcionar, pergunte a ele que outra pessoa estaria apta a responder suas perguntas.  

8.  Mantenha contato visual! Um repórter que passa a maior parte da entrevista tomando notas, curvado, ou colocando o gravador na face do entrevistado certamente vai embaraçá-lo. Enquanto toma notas ou grava a entrevista, mantenha o contato visual. Aprenda a abreviar suas anotações, para que você possa focar suas atenções no entrevistado. Isto transformará a entrevista mais em uma conversa, e certamente ele vai ficar mais relaxado. 

9.  Antes de partir… Pergunte ao entrevistado se há algo que você esqueceu de perguntar. Talvez ele esteja se queimando por dentro para dar alguma informação útil, que você sequer pensou em perguntar. Não vá embora sem pegar o telefone, o e-mail e sem marcar um horário mais adequado para ligar caso surjam novos questionamentos. Sempre pergunte se ele indica outras fontes. Colegas ou amigos do entrevistado podem ter mais conhecimento ou estarem mais inclinados para uma conversa. Agradeça ao entrevistado pelo tempo que ele passou conversando com você.

10.  Recapitule suas anotações logo após terminar a entrevista! Não espere até o fim do dia ou da semana para rever suas anotações. Relei-as novamente enquanto suas idéias ainda estão frescas na sua memória. Preencha lacunas nas anotações e elabore suas observações. Deixe o drink com os colegas de trabalho só após de você revisar e organizar suas anotações.

agosto 21, 2009 Publicado por | Carreira, Jornalismo, Leitura, Redação, Texto | , | 1 Comentário

Repórter 1001 Utilidades…

“Precision Journalism”, de Philip Meyer, escrito em 1973, foi considerado pela revista Journalism Quaterly como um dos 35 livros sobre jornalismo e comunicação mais importantes do século 20.

Ainda não li o livro, mas já imagino o “peso” do autor lendo seu prefácio no livro Jornalismo 2.0, de Mark Briggs. Uma aula (ou muitas).

Estou começando a ler o 2.0 e depois pretendo me encaminhar para o Precision – para minha agradável surpresa, todos os dois disponíveis on-line. 

Jornalismo 2.0 – versão em português.

“Precision Journalism”- versão em inglês.  

(…) “O velho adágio, ‘Um bom repórter é bom em qualquer lugar’, já não é mais tão convincente. Precisamos de bons repórteres que possam utilizar ferramentas apropriadas para lidar com situações em permanente processo de mudança. Neste ambiente, os jornalistas que souberem fazer mais de uma coisa vão ser mais requisitados. As pressões da economia e do relógio garantem que isto acontecerá. (…) As escolas de jornalismo estão se defrontando hoje em dia com o seguinte dilema: até que ponto podem permitir que os estudantes se aprofundem em suas especialidades. O consenso reinante é que cada um deve saber como fazer uma coisa bem, mas ser capaz de exercitar outras atividades na mesma área de conhecimento. Mas, como a tecnologia e a economia da mídia nos empurram em direção a uma plataforma convergente, surge um novo modelo de profissional: o jornalista como um homem de sete instrumentos, mas que ao mesmo tempo não é mestre em nenhum. Uma pessoa que pode escrever, fotografar, editar, falar e aparecer bem numa câmera com uma competência que não precisa ser muito grande, mas que deve ser boa o bastante. Um bom repórter passa a ser redefinido como alguém que é bom em qualquer mídia”. (…)

(Philip Meyer, prefácio Jornalismo 2.0) 

Essa passagem do texto me chamou a atenção, porque foi exatamente o que aconteceu comigo: era estagiária, surgiu uma vaga – mas para assumir múltiplas funções – fazer reportagem, editar e produzir. A lição: nenhum profissional pode se bitolar em uma só atividade – é preciso estar apontando para outras direções, conseguir dançar na TV, no impresso, no rádio, no on-line, é preciso estar sempre atento ao essencial de cada meio. As oportunidades surgem dessa abertura e não dá para deixar passar.

agosto 21, 2009 Publicado por | Carreira, Jornalismo, Leitura, Multimídia, Texto, Web | , , , , | Deixe um comentário

   

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