Você sabe fazer uma (boa) entrevista?
“Você já escutou algum colega entrevistando alguém por telefone? Se já, há chances de ter se contorcido na cadeira – ou quase morrido de rir”.
Pois é, de acordo com o excelente site britânico Press Gazette é raro encontrar um repórter capaz de conduzir uma boa entrevista, seja por telefone ou cara a cara. Por quê? Principalmente por falta de treinamento. Jornalistas são muito pouco treinados para desenvolver suas habilidades em uma entrevista – ainda que esta seja uma das ferramentas mais essenciais no “business” jornalístico.
Eis algumas dicas para afinar essa etapa da produção de uma reportagem:
- “Uma boa técnica de entrevista é identificar a fundação na qual a história é construída.”
Principais falhas dos profissionais:
• Abordagem superficial e ineficaz na entrevista.
• Muitas interrupções.
• Habilidade “pobre” de escuta.
• Falta de interesse nas vítimas. (Essa me chamou a atenção. Será que realmente prestamos atenção na vítima ou executamos apenas um ato mecânico. Me fez pensar).
- “Entrevistas que vão do inadequado ao completamente bizarro” (segundo o autor do texto – Cleland Thom, diretor de uma organização de treinamento em jornalismo, a Potential.GB.com):
“Lembro de uma garota me perguntando: ‘A mulher permanece morta?’. Outro garoto sequer tirou os olhos do computador, quando eu disse que meu filho tinha acabado de morrer… Ele não ofereceu conforto, não fez qualquer comentário. Deixou passar em branco. Bastardo sem coração”.
- Problemas mais comuns:
Evite perguntas fechadas. Muitos repórteres perguntam questões que podem ser respondidas com um sim ou não. E dizem para o editor: “Ele/ela não falava muito.” Perguntas que começam com “é”, “foi”, você fez”, “você vai”, e assim por diante são fechadas. É mais interessante questionar usando o “por que”, “o que”, “como” e “me diga”. Estas palavras vão produzir reações, opiniões e boas citações.
Errado: “Esta é a primeira vez que isso aconteceu com você?”
Certo: “Me diga sobre as outras vezes que isto aconteceu com você.”
Evite questões duplas. Fazer duas perguntas em uma. Isso confunde o entrevistado, que não sabe qual das duas responder primeiro: é comum esquecer a segunda na hora de responder a primeira, ou terminar não respondendo nenhuma das duas. Quando repórteres de rádio e TV fazem perguntas duplas, o entrevistado, invariavelmente, responde apenas a segunda e ignora a primeira.
Errado: “Como você se sente, e o que você vai fazer agora?”
Certo: “Como você se sente?”
“O que você vai fazer em seguida?”
Pesquisa o assunto (sujeito) primeiro – Não há nada pior do que não estar informado sobre o assunto, ou sobre a pessoa que você vai entrevistar. Mantenha o contato visual. Não interrompa. E faça perguntas em sequência lógica – especialmente se você está pedindo para alguém descrever um acidente.
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