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Calendário novo: Hora de pensar em avançar!

Acho que inventaram o calendário – com começo, meio e fim – para que tenhamos essa sensação de que há um recomeço – assim com limites mais definidos, até com data marcada. Pode ser uma quebra na monotonia: sempre há a esperança de que no novo ano podemos ser menos acomodados e assim correr atrás de realizar nossos sonhos e projetos. Janeiro é tão bom… Época de planejar (e quem sabe de materializar pelo menos 30% desses planos).

Baseado em dicas de gente com experiência (lidas por aí) eis algumas idéias de como nós (produtores, repórteres e editores) podemos melhorar a nossa produção de reportagens em 2010  – avançar no cumprimento dessa nossa nobre missão de informar. Quem sabe fim deste ano acumularemos uma bagagem jornalística mais consistente e revigorante.

  • Elabore um roteiro com o perfil do seu programa (que esteja de acordo com a linha editorial da sua emissora). Inclua aspectos como qual o seu público-alvo, o ritmo e o estilo e mixe seu conteúdo com as notícias locais, nacionais e até internacionais.
  • Trate as equipes de reportagens como times. Definam juntos qual o foco da história e que entrevistas ou imagens vão precisar para mostrar isto.
  • Encoraje e enfatize entrevistas de pessoas que foram diretamente afetadas pela história enfocada e deixe mais de lado as sonoras de especialistas e fontes oficiais governamentais.
  • Procurar por detalhes que ajudem a descrever a história, valorize as pequenas anedotas e conversas que podem ser recapturadas da experiência dos espectadores.
  • Seja flexível com seu formato. Quando surge um assunto que rende uma longa reportagem, deixe correr solto.
  • Esteja aberto para um VT de 45 segundos quando o assunto não requer mais do que isso. Lembre-se: o conteúdo determina o formato.
  • Não deixe as reportagens policiais se perderem no seu noticiário. Evite a cobertura de crimes desconectada, repleta de corpos, sangue e de pobres algemados. Ao invés disto, invista em reportagens que conduzam a algum significado e que tenham contexto. Isto significa agrupar uma vez por semana certos crimes para um breve panorama, usando mapas e gráficos.
  • Se familiarize com os bancos de dados informatizados. É importante ter acesso a arquivos públicos governamentais, policiais, judiciais. Eles podem contribuir para a construção de importantes reportagens.
  • Tenha certeza de que o seu arsenal de fontes de notícias inclui pessoas das mais variedades cores e das mais variadas áreas.
  • Conheça os equipamentos que o seu editor de imagens ou diretor técnico tem a disposição, o que eles podem fazer e quanto tempo se leva para criar os gráficos mais usados. Antecipe suas idéias e necessidades o mais cedo possível para essa parte da equipe.
  • Revele seu processo para sua audiência. Se uma família em luto convida você para cobrir o funeral de um filho, diga isso para a sua audiência no início da história. Deixe claro que sempre que você exibe imagens e sons de pessoas entristecidas, você não está explorando-as, mas tem o consentimento delas. E então, claro, tenha certeza de que você está contando a verdade!
  • Seja o melhor escritor que você pode ser. Use a voz ativa. Seja modesto com os adjetivos. Elimine os clichês. Use sentenças curtas para contar histórias complicadas. Lembre-se: qualidade vem de seleção, não de compressão, então tenha certeza de que tudo o que você escreveu é essencial para o foco da história.
  • Encoraje a criatividade. Considere uma série feita por e para adolescentes de escolas locais, uma seleção de imagens para encerrar o programa, um bloco para comentários da comunidade.
  • Quando se deparar com uma decisão difícil, tenha opções: “Ou usamos isto ou não usamos!” Por exemplo, se você decide usar um vídeo especialmente emotivo ou potencialmente perigoso, considere ligar para as pessoas envolvidas, deixe que elas saibam antes de colocar a história no ar. A idéia não é pedir permissão, mas ser sensível aos sentimentos alheios. A decisão editorial é sua.
  • Seja generoso com elogios e economize nas críticas. Considere os erros – especialmente os seus próprios – como oportunidades para aprendizados.
  • Nunca se esqueça, a responsabilidade principal de um jornalista é com o público.

Quando você se torna um jornalista, você atende a uma chamada nobre. Ninguém mais faz o que os jornalistas fazem na sociedade. Nenhum outro profissional é responsável por revelar informações, por dar voz para os sem voz. Apenas jornalistas carregam esta responsabilidade. Com isto certamente vem obrigações e a potencial habilidade de fazer do mundo um lugar melhor.

janeiro 11, 2010 Publicado por | Ética, Carreira, Jornalismo, Redação, Telejornalismo, Televisão | , | Deixe um comentário

   

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