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Copa da África: histórias que raramente aparecem na TV

A Copa do Mundo é uma festa só por muitos motivos. Os pessimistas podem até ver o evento como uma perda de tempo e de energia. Mas é muito bom ter este “intervalo psicológico” no tempo – até mesmo para deixar a mente respirar de tantos assuntos pesados.

É bom torcer por coisas simples (que provavelmente não vão mudar a vida de ninguém), é bom reunir as famílias e os amigos (trajados com roupas e adereços bobos), é bom ver tanta gente, de tantos lugares diferentes, com um objetivo em comum.

E a Copa da África então é uma festa para os olhos. É uma oportunidade rica e única para quem trabalha em TV. As imagens são fortes demais. As histórias são emotivas demais. Os personagens são exóticos demais. Daí para a cobertura virar um espetáculo…

Mas vou ser otimista em relação a isso: é um espetáculo bonito. Os rostos de um continente esquecido se tornam protagonistas… As dores de um povo esquecido são contadas e conhecidas por telespectadores do mundo inteiro. De certa forma isto marca uma época – fica na mente de muitos.

Enfim, pensei, pensei, porque não podemos de vez em quando colocar em evidência outras histórias e outros personagens nas nossas reportagens que raramente tem voz e vez na mídia? Vamos fugir das pautas “embaladas”. Vamos diversificar. Vamos empreender.

- Procure as ideias dos outros.
Quando você envolve mais do que você mesmo na suas reportagens, o trabalho fica mais rico. Procure vozes e faces que raramente são vistas na TV.

- Procure “verdades”.
Podem existir tantas verdades quanto opiniões sobre importantes questões. Mas não foque as das suas reportagens apenas nos extremos dos “pros” e “contras”. Jornalistas devem fazer ainda mais do que buscar “as verdades” – devem mostrar. As inovações tecnológicas podem ajudar a fazer isto.

- Questione mais.

“O que mais eu deveria saber?”

“Com quem mais eu deveria falar?”

“Que tipo de imagens existem disto?”

- Evite as embalagens prontas. Não conclua reportagens precipitadamente. A maioria dos telespectadores raramente assiste mais do que três noticiários por semana. Portanto, tenha cuidado com as conclusões equivocadas – que, se corrigidas – podem não chegar até a audiência.

- Invista em suítes.
De tempos em tempos, retome matérias para ver o que mudou. Telespectadores adoram sequências.

- Construa um painel diverso.
Inclua raças, etnias, gêneros, religiões e minorias políticas.

- Agradeça.
Valorize o esforço da sua equipe: não se esqueça de agradecer as fontes, o seu editor, os produtores, os cinegrafistas.

junho 22, 2010 Publicado por | Ética, Carreira, Cobertura Especial, Jornalismo, Telejornalismo, Televisão | , , , | Deixe um comentário

   

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