Do horror à esperança…O futebol transforma Ruanda.
A indicação foi publicada na coluna (do jornal impresso) de Flávio Ricco:
“O ponto alto do ‘Esporte Espetacular’, domingo [05/04], foi a reportagem de Régis Resing em Ruanda, na África, um país castigado por uma série de problemas, entre eles fome e doenças. Em meio a tudo isso, a grande vontade da população em superar as dificuldades. De emocionar, o momento em que o repórter, com uma bola improvisada, brinca com crianças locais, e muito fortes as cenas de pessoas mortas mostradas. Merece reprise. E reflexão.”
Corri pro site e fui ver o VT. De arrepiar… Fazia muito tempo que eu não assistia uma reportagem tão bonita, inteligente, emocionante, significativa, bem narrada. São quase 16 minutos de matéria que conta a história do país africano, Ruanda, que há 15 anos era dividido dois povos. O resultado dos conflitos entres os dois lados foi uma guerra com 1 milhão – um dos maiores massacres que a humanidade assistiu.
Régis Resing e equipe foram até lá mostrar como o esporte consegue vencer a guerra.
A narrativa do repórter é habilidosa – guiada por imagens fortes, tristes e bonitas. Texto de impacto: “1 mihão de mortos em 100 dias. Como se 10 bombas atômicas de Hiroshima tivessem sido jogadas em Ruanda.”
É interessante ver a transição dos momentos em que ele enfoca a atualidade – onde o país assiste aos jogos das eliminatórias da Copa do Mundo – e o passado de 1994 – quando as pessoas foram mortas aos montes, corpos juntados por caminhões de lixo.
O tom da matéria não é de presente feliz, mas de esperança. O repórter relata as dificuldades de contar a história: “é proibido filmar (…) policiais ameaçam tomar as câmeras (…) presos ameaçam nos matar”. Os enfoques são nas imagens de um povo que tem vergonha de se ver.
Régis faz uma passagem no estádio de futebol e mostra como o povo tem dificuldade de aplaudir ou vaiar o time em um jogo de futebol – traumas de um passado de genocídio, onde muitos dos grupos que assassinaram as pessoas tinham origem nas torcidas organizadas. Ninguém fala um palavrão ou parece se exaltar. Ao mesmo tempo, 50.000 pessoas se apertam no lugar – “todos juntos, todos iguais (…) o futebol está ajudando na integração do povo de Ruanda”.
Momentos + emocionantes:
- quando Régis vai a um galpão onde estão os restos mortais de pelo menos 5.000 pessoas. O repórter mostra o sofrimento diante da cena macabra e lança uma pergunta que não tem resposta: Por quê? Leva às lágrimas.
- As imagens do jornalista jogando bola com as crianças também tiveram impacto.
- Atenção também para a escolha dos entrevistados, que amarram impecavelmente a narrativa, da escolha dos BG’s (músicas melancólicas) e a escolha do lugar de uma das passagens, “no campo coberto de sangue (…) lugar onde morreram 10.000 pessoas (…) onde hoje joga um time de futebol que tem jogadores dos dois povos”.
Parabéns ao repórter e à equipe: Rafael Pirrho (Produção), Raphael Palumbo (Edição) e Lafayette Dias (Imagens).
E-mais:
A reportagem cita o filme “Hotel Ruanda”, que conta a história de um homem que salvou a vida de 1268 vidas na época do Genocídio.
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