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Cinema adora jornalismo

 

CIDADE DO SILÊNCIO – Excesso de estereótipos, jornalismo investigativo e uma matéria-prima cruel

Em Cidade do Silêncio (2007) Jennifer Lopez interpreta a jornalista americana Lauren Adrian, enviada para escrever uma reportagem sobre uma série de crimes em troca de uma vaga como correspondente internacional.

Apesar de ter a estrela latino-americana e ainda Antônio Banderas, o filme recebeu muitas críticas negativas e nem chegou a ser lançado nos cinemas.

Críticas justas – A história é baseada em fatos reais, mas muito focada em exibir uma Jennifer heroína, a super-repórter, com aquele corpão todo e uma dose pra lá de excessiva de surrealidade.

Mas vale a pena assitir o filme pela matéria-prima chocante onde a produção se firma: uma fronteira entre Estados Unidos e México repleta de indústrias americanas que se aproveitam do baixo custo da mão de obra local para aumentar seus lucros. Neste contexto de fábricas que nunca param, as mulheres operárias têm que conviver com a ameaça constante de serem estupradas e mortas ao sair do trabalho.

Eis o ponto forte ao exibir esse drama: a fotografia de Cidade do Silêncio. As cores são saturadas, uma atmosfera externa carregada de amarelo e dentro das fábricas o predomínio de um azul frio. Aterrorizador, opressivo.

A polícia por sua vez não investiga e o governo fecha os olhos pensando nos interesses econômicos. Um filme amargo que mostra a censura à imprensa que insiste em se aproximar de uma verdade ameaçadora e que mesmo em um regime que se diz democrático os interesses econômicos ditam a pauta e o que no fim vai chegar até a população.

Derrapa – infelizmente – na enfâse exagerada aos estereótipos: de um lado o jornalista frio, para quem a carreira é a prioridade, do outro o repórter herói, idealista. Aborda um tipo de jornalismo pouco explorado hoje: o investigativo, o de profundidade e envolvimento.

Curiosidade: Sonia Braga, que já foi mãe de Jennifer López, desta vez tem uma casa de apoio para jovens.

Ficha Técnica
Cidade do Silêncio
Título Original:
Bordertown Drama, 112 minutos, 2007; Direção e roteiro:
Greogry Nava; Elenco: Jennifer Lopez (Lauren Adrian); Antonio Banderas (Alfonso Diaz); Sônia Braga (Teresa Casillas); Martin Sheen (George Morgan); Maya Zapata (Eva Jimenez)

MÍDIA NO CINEMA – Trinta filmes sobre jornalismo

Para quem gosta de jornalismo e cinema, o jornal britânico The Independent [14/3/05] preparou uma lista com os “trinta maiores filmes sobre a mídia“. São eles:

** Em Salvador, o martírio de um povo (Salvador, 1985), um fotojornalista “gonzo” e seu amigo DJ chegam a El Salvador durante os conflitos político-ideológicos do início da década de 1980. O filme é dirigido por Oliver Stone.

** Todos os homens do presidente (All the President´s Men, 1976), com Dustin Hoffman e Robert Redford no papel dos repórteres Carl Bernstein e Bob Woodward, do Washington Post, conta a história do caso Watergate, que levou à renúncia do presidente Nixon.

** Um adolescente de 15 anos consegue trabalho como repórter da revista Rolling Stone e cobre turnê de um grupo de rock pelos EUA em Quase famosos (Almost Famous, 2000), dirigido por Cameron Crowe.

** Com direção de Gus Van Sant, Um sonho sem limites (To Die For, 1994) mostra a luta de uma ambiciosa garota-do-tempo, interpretada por Nicole Kidman, para ter sucesso na TV.

** O brasileiro Cidade de Deus (2002), dirigido por Fernando Meirelles, também entrou na lista. Inspirado numa história real, mostra os personagens da favela Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, pelas lentes de um fotógrafo adolescente.

** Orson Welles dirige e atua em Cidadão Kane (Citizen Kane, 1941). Na história, um repórter explora a vida de um magnata de mídia.

** Em Defesa da Verdade (Defence of the Realm, 1985), estrelado por Gabriel Byrne, é um suspense no qual a cobertura de um escândalo médico leva um repórter a investigar autoridades políticas.

** Estrelado por Johnny Depp e Benicio Del Toro, Medo e delírio (Fear and Loathing in Las Vegas, 1998) mostra a tentativa de cobertura de uma corrida de moto e de uma assembléia da polícia por um repórter drogado. O filme é inspirado na vida do jornalista “gonzo” Hunter S. Thompson, que se suicidou no mês passado.

** Última hora (The Front Page, 1931) é baseado em peça teatral de Ben Hecht e Charles MacArthur sobre um repórter de sucesso tentando escapar de seu editor cínico e manipulador.

** Jejum de amor (His Girl Friday, 1939), com Cary Grant e Rosalind Russell, é outra adaptação da peça de Hecht e MacArthur, dirigida por Howard Hawks.

** Estrelado por Robin Williams, Bom dia Vietnã (Good Morning Vietnam, 1987) conta a história de um irreverente DJ que, recrutado para comandar programa de rádio das Forças Armadas dos EUA no Vietnã, enfurece oficiais.

** De Oliver Stone, Assassinos por natureza (Natural Born Killers, 1994) mostra as loucuras de um casal que viaja pelos EUA matando pessoas para atrair a atenção de um jornalista sensacionalista.

** Em Os gritos do silêncio (The Killing Fields, 1984), premiado repórter arrisca a vida para cobrir a Guerra do Camboja.

** Com Burt Lancaster e Tony Curtis, A embriaguez do sucesso (Sweet Smell of Success, 1957) retrata um colunista de fofoca como um monstro da mídia.

** O informante (The Insider, 1999), com Al Pacino e Russell Crowe, mostra a luta de um cientista recém-demitido de fábrica de cigarros e um produtor do programa de TV 60 Minutes para divulgar segredos escandalosos da indústria do tabaco.

** Rede de intrigas (Network, 1976), com direção de Sidney Lumet, mostra o dramático fim da carreira de um importante âncora da TV americana.

** Em O Povo contra Larry Flynt (The People vs Larry Flynt, 1996), o diretor Milos Forman faz cinebiografia do polêmico editor da revista de pornografia Hustler, que enfrentou diversas batalhas judiciais na defesa da liberdade de expressão nos anos 1970.

** Com Christopher Reeve, Superman (1978) conta a história do jornalista sem-graça que nas horas vagas se transforma em super-herói pronto a salvar o mundo.

** Em Perversa paixão (Play Misty for Me, 1971), dirigido e interpretado por Clint Eastwood, um radialista é perseguido por uma ex-amante desequilibrada.

** O show de Truman, o show da vida (The Truman Show, 1998), dirigido por Peter Weir, é estrelado pelo comediante Jim Carrey. Sem saber, Truman Burbank é o personagem principal de um reality show de sucesso absoluto na TV americana.

** O preço de uma verdade (Shattered Glass, 2003) conta a história de um jornalista que inventava grande parte de suas matérias.

** O âncora – A lenda de Ron Burgundy (Anchorman: The Legend of Ron Burgundy, 2004) é uma comédia sobre um âncora de TV dos anos 1970 confrontado por uma colega ambiciosa.

** Em O ano em que vivemos em perigo (The Year of Living Dangerously, 1982), com Mel Gibson e Sigourney Weaver, um fotojornalista australiano enfrenta perigos e intrigas políticas na Indonésia dos anos 60.

** Nos bastidores da notícia (Broadcast News, 1987) mostra o competitivo mundo dos bastidores da TV a cabo dos EUA, habitado por jornalistas ambiciosos e prontos para tudo. Dirigido por James L Brooks.

** Com Warren Beaty, A trama (The Parallax View, 1974) mostra um jornalista alcoólatra que investiga o assassinato de um senador depois que várias testemunhas morrem misteriosamente.

** Verdades que matam (Talk Radio, 1988) é mais um filme de Oliver Stone na lista do Independent. Um radialista deixa os problemas pessoais interferirem em seu trabalho.

** O rei da baixaria (Private Parts, 1997) é uma autobiografia do polêmico radialista americano Howard Stern.

** Um fotógrafo interpretado por Nick Nolte se envolve em armações políticas durante a revolução sandinista na Nicarágua, no fim dos anos 1970, em Sob fogo cerrado (Under Fire, 1983).

** Dirigido por Billy Wilder, A montanha dos sete abutres (Ace in the Hole, 1951) é um olhar ácido sobre a exploração da mídia. Um jornalista excluído da grande imprensa vê sua chance de voltar ao “jogo” com uma matéria sobre um homem preso em velhas ruínas indígenas no Novo México.

** O australiano Newsfront (1978) mistura ficção e cenas reais para mostrar a rivalidade entre duas companhias de cinejornal.

Fonte: www.observatoriodaimprensa.com.br

Entre filmes e estrelas…

Dando uma vasculhada na net, me deparei com uma reportagem do Wall Street Journal sobre o uso de estrelas como símbolos para a classificação dos filmes. De acordo com o texto, há mais de  

80 anos surgia o “sistema de estrelas de Hollywood” – que seria “não uma companhia para agenciar atores, mas um método de classificar filmes de acordo com certo número de estrelas”.

A reportagem cita que a primeira aparição do sistema deve ter sido em 31 de julho de 1928, no jornal New York Daily News.

A crítica “1 estrela” do filme “The Port of Missing Girls” lançou o “star system”, que o jornal prometeu como uma seção permanente.

3 estrelas significa “excelente”, 2 “bom” e 1 estrela significa “medíocre”. E nenhuma estrela significa que o filme realmente é muito ruim.

A reportagem elucida que hoje, o “sistema de estrelas” está em toda parte, mas longe de ser uma escolha simples para críticos – que tem de encaixar numa mesma escala – um filme promissor ao Oscar e um despretensioso blockbuster terror.

Mesmo aqueles críticos que não usam estrelas encontram sua cuidadosamente moldada opinião, convertida em números: votação a favor ou contra.

Críticos de filmes e acadêmicos têm uma relação tumultuada com o sistema – que pode ajudar a guiar leitores, mas também encorajá-los a abandonarem a leitura da crítica.

 

Como importantes críticos se sentem ao ter que usar estrelas para classificar filmes?

* Roger Ebert (Sun-Times): “Não sei de onde vem as estrelas, mas elas são absurdas. Muitas vezes as pessoas vai citar minhas estrelas, sem necessariamente terem lido minha crítica”.
* Gerald Peary (Boston Phoenix): “A maçã tem sido mordida por todo mundo, e é uma maçã estragada”.

* Sam Sifton (editor de cultura do NYT, que não usa estrelas): “Nos não tentamos reduzir nossos argumentos sobre uma particular peca de arte a um numero, ou letra de classificação, ou espátulas douradas, ou seja o que for”.


O cinema adora jornalismo…

Mesmo com a perda de credibilidade e o atual panorama de “crise” vivido pela mídia, a profissão continua cercada por uma aura de encantamento. O jornalista ainda parece ter domínio sobre o grande trunfo do século 21 – a informação. Paira acima da sociedade, mesmo que de forma ilusória. Mas já que o cinema vive de ilusão… A união entre jornalismo e cinema parece ser sempre bem-sucedida – uma prática narrativa trabalha com a realidade, a outra com a ficção. Mas quantas afinidades. Exemplos de produções clássicas que abordam o jornalismo são inúmeras. Neste espaço vão surgir sinopses e comentários de filmes que abordam essa parceria mágica, instigante e às vezes esclarecedora.

7 Comentários »

  1. [...] Cinema adora jornalismo [...]

    Pingback por Alô, alô visitantes - aquele e-braço… « Telemultimidia | abril 23, 2009 | Responder

  2. Bom Clara,já te admirava,mas agora sou seu fã.Um bom jornalismo é aquele feito com amor e com muita dedicação.Mas jornalista também é dom.E você tem esse dom!Parabéns,nossa categoria merece profissionais como você!

    Comentário por Luis Fernando | setembro 3, 2009 | Responder

    • Obrigada pelo apoio Luís Fernando…Até onde me recordo sempre quis vivenciar essa profissão – que também é modo de vida.Meu trabalho é apenas um pequeno espectro diante de um painel gigantesco, mas certamente é feito com dedicação.

      Comentário por Clara Torres | setembro 3, 2009 | Responder

  3. Oi Clara!

    Estava procurando uma imagem para ilustrar um artigo e cheguei novamente ao seu blog. É, ja tinha visto antes, mas desta vez fiquei um tempao lendo as postagens… Tem muita coisa interessante por aqui, parabens!

    Quero deixar duas sugestoes, posso? ;-)
    1) Senti falta de mais conteudo produzido e/ou a respeito da midia latino-americana – tem muito EUA no blog;
    2) Indicaçoes e resenhas de curta-metragens sobre jornalismo, comunicaçao e midia.

    Eh isso… ate a proxima visita.
    Bjossss!

    Comentário por Bertrand Sousa | novembro 8, 2009 | Responder

    • Realmente minha literatura de base é quase que exclusivamente americana e britânica – e como não leio em espanhol é difícil acompanhar as novidades neste idioma.E o foco mesmo do blog são inovações no Jornalismo e como aperfeiçoar esta atividade. Tb tem recortes interessantes que encontro nas leituras diárias e experiências próprias.Não tenho muita bagagem sobre curta-metragens, mas aceito sugestões que possam enriquecer esta página “Cinema adora jornalismo”. Valeu pelas dicas e até mais. :)

      Comentário por Clara Torres | novembro 10, 2009 | Responder

  4. Aumentando a lista dos filmes, tem tb o “Boa noite, boa sorte”

    Comentário por Aline | janeiro 8, 2010 | Responder

  5. Que lista formidável. Adorei!

    Comentário por José Luís de Freitas | março 18, 2010 | Responder


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